Thaísa Helena
Caminhar com Deus sempre será uma aventura. Não necessariamente iremos passar por lugares radicais e perigosos, mas ouvi-lo e entender o que Ele deseja, ah que aventura é.
Tenho passado por dias em que preciso calar e ouvi-lo, sinceramente não é nada fácil, ainda mais quando estou repleta de questionamentos e pecados a confessar. Quando me sinto frágil e totalmente necessitada de renovo.

Na igreja que frequento, o grupo de jovens tem estudado sobre transformação. Apesar de ser cristã há muitos anos e durante todo o tempo de caminhada ouvir sobre isso, tenho experimentado isso em minha vida das formas mais inusitadas possíveis. Transformação é um processo doloroso, é como arrancar um pedaço de nós. Mas esse pedaço pode estar doente e para evitar que contamine todo nosso corpo precisa ser arrancado. Transformação é um processo contínuo e só terminará quando estivermos com Pai na eternidade. Nosso líder disse que o maior milagre que Deus pode fazer é transformar!


Sim, de fato, o é. Permitir que o Senhor nos mostre o que precisamos deixar, descobrir o que é e então agir em prol da mudança de atitude, esse é o processo. O engraçado é que oramos e vamos vivendo, mas o Senhor trabalha todo o tempo sem cessar e por vezes, já estamos sendo moldados, mas não percebemos. Estamos muito ocupados, distraídos para enxergar. Então Ele sutilmente nos sacode e nos revela a grandeza da sua obra redentora em nós.

Deus não nos mostra tudo de uma vez só, até porque não aguentaríamos, mas aos poucos as peças soltas do grande quebra cabeças das nossas vidas começam a tomar forma. Aos poucos Ele nos mostra o por que de algumas coisas, em que Ele quer trabalhar no nosso caráter. Pode acontecer transformação em uma área específica ou em muitas áreas ao mesmo tempo e se não estivermos em comunhão com Ele, ouvindo e dependendo de suas orientações, certamente fracassaremos.

Uma amiga me disse essa semana que o deserto é escola. Numa escola precisamos estudar, aprender e fazer uma prova ao final. No Reino espiritual as coisas são semelhantes, não aprendemos as coisas de forma imediata, é um processo que muitas vezes depende de nosso esforço e disciplina. E se formos desleixados com os ensinamentos que o Pai nos entrega, seremos reprovados quantas vezes forem necessárias até compreendermos e estarmos aptos para coisas maiores.
Como poderemos viver coisas grandes, que exigem esforço e disciplina se ao menor dos problemas paramos revoltados pelo meio do caminho? Se ao passar por eles apenas murmuramos e como um tagarela, falamos sem parar sufocando a voz de Deus?


Que aprendamos a experimentar a suavidade de caminhar com Deus reconhecendo seu senhorio sobre nós, vivendo transformações profundas de forma leve.  Já dizia o ditado: “Falar é prata, ouvir é ouro”! Que sejamos aplicados na arte de ouvi-Lo.

Na Paz de Jah.
Thaísa Helena
    Trilhamos nosso caminho na vida e apesar de estarmos com Deus, Ele pode estar distante de nós, não pelo fato de ter se afastado, mas porque nossas prioridades podem estar invertidas. Tarefa difícil essa de equilibrar as coisas deixando, como a própria Bíblia nos ensina, o Reino de Deus em primeiro lugar. (Mateus 6:33).
    Quantas vezes somos tomados e ludibriados por coisas até muito boas e inofensivas que nos trazem benefícios e satisfação. Quantas boas obras fazemos e achamos estar arrasando. Pecamos pela distração. O Senhor nos mostra o caminho, mas por às vezes ser tão óbvio, “tentamos enfeitar o pavão” e assim, nos afastamos dEle. Nossas ações tornam-se mais importantes do que o Senhor que nos capacita a realizá-las, nosso relacionamento com o Pai fica escasso de forma tão sutil que nem notamos. E de repente levamos aquela chacoalhada divina pra cairmos na real e voltarmos ao caminho.

     Às vezes também nos percebemos sobrecarregados por acharmos que nós é quem temos de fazer todas as coisas, esquecendo-nos que a obra é dEle e nós nada podemos sem ele (João 15:5), ficamos desanimados por não darmos conta de tudo e vamos levando como podemos. Muitas vezes beiramos ao sentimento de inutilidade e fracasso, apenas por não ouvirmos mais as orientações do ÚNICO que pode nos mostrar a direção certa. (João 14:6). Dessa forma, perdemos nosso foco e as coisas realmente começam a desandar, mas o mais incrível nisso tudo é que Ele SEMPRE nos chama de volta, até porque temos o Espírito Santo para nos auxiliar TOTALMENTE no processo de santificação. (Ufa!)

Um despertamento muito sutil me ocorreu dia desses assistindo “O Rei Leão”, Simba está num campo aberto e o espírito de seu pai aparece nas nuvens o relembrando algumas coisas:
 Mufasa: — Simba, você esqueceu de mim. Você esqueceu quem você é e esqueceu de mim. Olhe pra dentro de você. Você é muito mais do que pensa que é. Você tem que ocupar o seu lugar no ciclo da vida!

Simba: — Como eu posso voltar? Eu não sou mais quem eu fui.

Mufasa: — Lembre-se de quem você é! Você é meu filho!...






Sem mais!!! Precisamos lembrar quem somos. Saber nossa real identidade de Filho e TOTALMENTE dependentes do Senhor, faz toda a diferença em nosso caminhar.

E você, ao menos sabe quem é?



Thaísa Helena
     
     Ah! O inverno. Frio, muitas roupas, cobertores, café e chocolate quente. Estação da elegância, das ruas vazias, concentração no interior das casas, banhos quentes. Há muitas analogias ao inverno, como períodos de mudanças, tempo de se recolher. Há também quem compare o inverno a um tempo melancólico, de solidão, usando a expressão “inverno da alma”.
     Apesar das muitas afirmativas sobre o inverno, tenho desfrutado de um dos melhores invernos de todos os tempos. Eu nunca vi dias e noites invernais tão belos como os desta estação. De fato o Senhor é muito criativo, até mesmo noites com nuvens resplandecem um lindo mosaico no céu.
O inverno pode ser sim tempo de recomeços, de ousar a “sair no frio”, deixar nossos lugares comuns aquecidos e suportar a friagem como consequência dos passos desafiadores que somos estimulados a dar. Nem sempre iremos de pronto, a hesitação é inevitável, somos impelidos a ponderar as vantagens e muitas vezes as desvantagens são maiores, afinal ninguém gosta de uma ducha gelada após levantar de sua cama quentinha.
     Poderemos fraquejar, nossa respiração diminuir a intensidade, nossos pés poderão congelar assim como nossas mãos. Porém nossa alegria é saber que ao final, após ter sofrido a geleira do caminho, teremos uma bacia com água quente para os pés e afago para nossa alma. A maior grandeza desta vida não é evitar os problemas, mas sim enfrentá-los de maneira leve, muito embora alguns sejam quase insuportáveis.
A diferença sempre estará em nossa perspectiva, na maneira como enxergamos as coisas. Podemos continuar a reclamar do frio e nos recolher dentro de nossas casas, porém jamais enxergaremos o espetáculo da vida que só está disponível àqueles que ousam sair.



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